Me lembrei de meu 2º, que havia encontrado por acaso na P. C., nos mesmo fim de semana. Me lembro das mãos de M. Os dedos compridos e finos, foi a primeira coisa que reparei nele. Mãos que pareciam leves, gostei disso no momento. Da cor olivácea que tinha, outro traço marcante. E do nervosismo.
Não, não era nervosismo. Nervosismo foi com o 1º, tambem M. Quanto tudo era novo e ainda havia aquela descoberta sobre aonde colocar as mãos. Não que algum dia essa sensação do desconhecido tenha passado,sempre me arrebata, mas naquela ocasião foi a primeira das primeiras. Nervosismo, descoberta de outro corpo, cuidado com os colegas de quarto na cama ao lado.
Na 2º vez foi em situação semelhante, mas com mais conforto. Havia algo entre nós que ultrapassava a simples curiosidade do 1º M. Não era paixão, claro que não, mas um grau maior de cumplicidade.
O 3º... F. Sensação de traição. E algo de conquista. De desejos antigos enfim realizados. Mas ainda pensando em M., o das mãos de pianista.
O 4º, muito tempo depois. Mais uma vez M. Rápido, muito rápido. Talvez o primeiro realmente real mas, em compensação, o 1º não desejado. Carnal, animalesco, atrapalhado, hora e local impróprios. Massagem, lingua e dentes. Gosto, cheiro de cigarros mentolados. Jamais assumirei, mas é nele que penso cada vez que sinto vontade de comprar uma carteira. Cigarros normais não me atraem, tem que ter menta. Para fumar e refrescar ao mesmo tempo, palavras dele.
O 5º, amado, muito amado. Final dolorido. Inesperado. Surpresa mesmo. M., novamente. Foi uma conquista, daquelas de se guardar na memória. O primeiro de muitas coisas. Primeiro cinema, melhor sensação do mundo! Primeiro beijo de boa-noite no carro, do lado de fora de casa...
O 6º. T., para variar um pouco. Não sei o que dizer. Primeiro oficial, marcante, sem dúvida. Mas faltou algo, faltava algo, melhor dizendo. Durou tanto quanto o 5º, mas estranhamente foi menos intenso, apesar de mais carnal. Não me arrependo, em hipótese alguma.
De nenhum deles. É crueldade demais se arrepender de um passado "só" porque ele dói. Faz parte da minha carne, é o responsável por me moldar no que sou. Não me arrependo, não renego. Só sorrio com as boas e já curadas lembranças.
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