terça-feira, 11 de maio de 2010

Olho o cotidiano

Em algum momento de um agosto passado, ouvi de M. que não faria bem continuarmos o nosso relacionamento porque ele em breve partiria para ficar fora no mínimo seis meses, e era melhor acabar antes que ficassemos ainda mais ligados um ao outro. Não posso ter uma relação a distancia, disse ele, não consigo ficar sem contato físico.
Não entendi isso na época. Achei até cruel da parte dele, interromper tudo faltando ainda quase um mês para viajar, disperdiçar esse "tempo todo" que ainda tinhamos... Mas hoje entendo. Era muito verde na época, M. foi o meu segundo parceiro, o primeiro verdadeiramente parceiro, era óbvio que não queria solta-lo antes que chegassemos ao saguão do aeroporto para o seu embarque :)
De lá pra cá tive apenas mais um. Que veio e foi em muito pouco tempo. Assumimos compromissos sérios demais para a quantidade de interações que já tinhamos. Não sei porque ele me pediu em namoro após uma semana, mas tenho bem claro para mim porque o aceitei: Queria saber como era ter alguem para mim. E ao mesmo tempo pertencer a alguem. Quando ficava com M., prometemos exclusividades, mas é diferente quando é dado o título oficial de namorado.
A experiência não se saiu como esperava, mas foi bom, por algumas semanas, saber que eu tinha alguem ao meu lado.
Já se vai mais ou menos um mês desde que acabamos. Claro, não poderia durar. Não importa porque o namoro foi proposto, mas ele foi aceito com finalidades egoístas. E agora volto a flertar, porque descobri que é muito ruim ficar sem contato.
Saí com dois casais de amigos hoje. Não posso reclamar que não foi divertido, foi ótimo. Mas como era de se esperar, houve momentos em que beijos aconteciam sem que eu fosse um dos participantes. E são momentos de tristeza involuntária, melancolia.
Mas não procurarei alguem apenas para preencher o vazio. Vou achar alguem que seja amor enquanto dure.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Lembranças

De uma propaganda de perfume, nem sei qual, algum com vidrinho rosa, acabei caindo em devaneios de memória. A propaganda comentava sobre como são estranhos as coisas que lembramos ao acaso, um cheiro ou um gosto; e tão estranhas quanto as coisas que nos esquecemos, mas era certo que o tal perfume seria uma das lembranças.

Me lembrei de meu 2º, que havia encontrado por acaso na P. C., nos mesmo fim de semana. Me lembro das mãos de M. Os dedos compridos e finos, foi a primeira coisa que reparei nele. Mãos que pareciam leves, gostei disso no momento. Da cor olivácea que tinha, outro traço marcante. E do nervosismo.
Não, não era nervosismo. Nervosismo foi com o 1º, tambem M. Quanto tudo era novo e ainda havia aquela descoberta sobre aonde colocar as mãos. Não que algum dia essa sensação do desconhecido tenha passado,sempre me arrebata, mas naquela ocasião foi a primeira das primeiras. Nervosismo, descoberta de outro corpo, cuidado com os colegas de quarto na cama ao lado.
Na 2º vez foi em situação semelhante, mas com mais conforto. Havia algo entre nós que ultrapassava a simples curiosidade do 1º M. Não era paixão, claro que não, mas um grau maior de cumplicidade.
O 3º... F. Sensação de traição. E algo de conquista. De desejos antigos enfim realizados. Mas ainda pensando em M., o das mãos de pianista.
O 4º, muito tempo depois. Mais uma vez M. Rápido, muito rápido. Talvez o primeiro realmente real mas, em compensação, o 1º não desejado. Carnal, animalesco, atrapalhado, hora e local impróprios. Massagem, lingua e dentes. Gosto, cheiro de cigarros mentolados. Jamais assumirei, mas é nele que penso cada vez que sinto vontade de comprar uma carteira. Cigarros normais não me atraem, tem que ter menta. Para fumar e refrescar ao mesmo tempo, palavras dele.
O 5º, amado, muito amado. Final dolorido. Inesperado. Surpresa mesmo. M., novamente. Foi uma conquista, daquelas de se guardar na memória. O primeiro de muitas coisas. Primeiro cinema, melhor sensação do mundo! Primeiro beijo de boa-noite no carro, do lado de fora de casa...
O 6º. T., para variar um pouco. Não sei o que dizer. Primeiro oficial, marcante, sem dúvida. Mas faltou algo, faltava algo, melhor dizendo. Durou tanto quanto o 5º, mas estranhamente foi menos intenso, apesar de mais carnal. Não me arrependo, em hipótese alguma.
De nenhum deles. É crueldade demais se arrepender de um passado "só" porque ele dói. Faz parte da minha carne, é o responsável por me moldar no que sou. Não me arrependo, não renego. Só sorrio com as boas e já curadas lembranças.